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17 de abr de 2013

Moto Perpétuo "Moto Perpétuo" (1974) remasterizado by Charles Gavin

Todos sempre falam de tudo;e ao mesmo tempo de nada.

Sabemos o ano do nascimento do Ringo, a idade do Mick Jagger, quem comeu quem, qto cheirou o Eric Clapton e de nossos heróis?

Já tive como resposta o seguinte:

No tempo que o Guilherme Arantes tocava!!!!!!!!!!!!!!!!!
O Lulu é um músico babaca!!!!!!!!!!!!
O rock brazuca acaba se resumindo sempre aos mais intelectuais e aos sons mais preparados e digamos assim mais geniais.

Porra de país é esse que não dá valor e nem respeita sua história; porra de gente metida a besta que nunca saiu do bairro que mora e fica arrotando peru falando de França, Itália, Portugal, EUA principalmente e eles só vindo aqui em fim de carreira.

Tô de saco cheio de não ouvir ou ler alguém como o "Tio Sam" falar bem de brasileiros, mas BRASILEIROS, que enquanto a gente ainda tava caindo de bicicleta ou pulando muro da escola eles já faziam música.

E se nem todos podem ser um João Gilberto imagina a chatice se todos fossem?

Amo de paixão o Chet Baker, amo de ter a coleção toda e ouvir o dvd de mp3 inteiro e não me cansar, mas me apaixonei pela sua história de vida e isso que fez com que Muddy Watters pudesse ter um bar em NY ou BBKing idem; e tantos outros sabem porque?

Porque eles valorizam sua própria história enquanto nós tacamos pedra em tudo, mas em tudo mesmo e exemplifíco:
O Rádio Táxi era uma banda simples digamos de música pop?

Alguém sabia que o Wander Taffo foi escolhido entre os melhores guitarristas do mundo?
Diretor geral da EMT (Escola de Música e Tecnologia).
Ele tocou com Rita Lee e nas bandas Memphis, Made in Brazil, Secos e Molhados, Gang 90 e as Absurdettes, Joelho de Porco, Rádio Táxi e Banda Taffo.

Por acaso sabemos que o disco do Pepeu Gomes "Na terra há mais de mil" está entre os mil discos estrangeiros de melhor qualidade da década de 80 no mundo?
( Pepeu já foi considerado pela revista americana Guitar World de 1988 como um dos dez melhores guitarristas do mundo na categoria "world music".)

Sabemos que da Cor do Som o Mu é o cara dos teclados e da voz doce mas e das trilhas de todos os programas da plim plim?

Infelizmente pra nós perdemos uma banda fenomenal que fechou o Circo Voador, outro local mítico mas que precisa e sabe trabalhar; e só o Zé Rodrix competia em importância pra dita cuja prq o Mu é o cara das trilhas e até no "arghhhh" líder dos domingos, que o preferia no Perdidos na noite se o Mu não estiver ele reclama no ar prq o cara manja e dá segurança pra todo mundo.

E falando em Cor do Som, sabemos que o Armandinho foi tb na década de 80 considerado um dos guitarristas mais técnicos do mundo e o Pepeu o melhor da AL?

(Armandinho deixa a banda em meados de 1981 para se dedicar à carreira solo e seu projeto com Dodô e Osmar. Ao longo dos anos seguintes, tem dado continuidade a seu trabalho instrumental, voltado para o choro e outros gêneros, gravando e se apresentando ao lado de músicos como Raphael Rabello, Paulo Moura, Época de Ouro, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Caetano Veloso, Yamandú Costa, entre outros. Em 2005 se reúne novamente com A Cor do Som, gravando um disco acústico e realizando shows esporádicos.)

Eu acho que sabemos é meter o pau e tem sim no que meter o pau, muita banda ruim, muito cantor ruim, mas pqp, quem não viu um Made in Brazil com Cornélius ao vivo ou ouviu seus dois discos não sabe o que era rock brazuca de verdade mas o Made não parou aí.

Quem não conhece a carreira do Oswaldo e o Made depois do Cornélius tb não pode falar de rock brasileiro; quem não conhece o trabalho nacional do Sérgio Dias não conhece música brasileira.

Quem não acompanhou a formação do Arnaldo e da Patrulha do Espaço e depois a Patrulha sem ele não conhece de música brasileira.

E escreveria o dia e a noite passando do sul ao nordeste sem cair na breguice dessas merdas que tocam por aí hj; e queremos o que com nosso passado se não lembramos ou não queremos lembrar?

Por que?

(Ao lado no momento que dedilhava com minhas patas este desabafo, vejo no Pirata a postagem de um disco do Patrulha, e no JJ'Jazz um blog quase que na totalidade de som japonês ou oriental Jaques Morelenbaum um monstro nos acordes,maestro e compositor, idealizador da Barca do Sol e sei lá mais o que prq não lembro tudo na hora e lá com nada mais nada menos que Riuchi Sakamoto, percebem que estamos na contramão, prq eles nos dão valor e nós? Tenho dois discos da Barca e o que sabemos deles?)

Aqui está uma das melhores bandas do país e quiçá do mundo; gostem ou não merecem respeito.

Como tb merece um prêmio o Charles Gavin pelo trabalho de resgate da música brasileira e pelo belíssimo programa que apresenta acho no canal brasil (Deus meu, deveria tá nas maiores pelo menos) o Som do Vinyl, assisti um sobre o disco Canções Praieiras do Dorival Caymmi que foi um show de cultura com entrevistas e a história desse lp de décadas atrás.

Gavin, vc é o Cara!!!!!!!!!!
O Rock Progressivo Brasileiro apesar das inúmeras dificuldades, deixou marcas que hoje são resgatadas graças as novas gerações ávidas por conhecer um período onde se fazia musica apenas pelo prazer, amor e pela arte em si, ao invés do atual conceito de marketing financeiro que hoje paira na industria musical.

É curioso para os novos ouvidos saber que muitos dos “medalhões” da MPB atual como Ney Matogrosso (Secos e Molhados), Rita Lee (Mutantes), Lulu Santos e Lobão (Vimana), Jaques Morelenbaum (Barca do Sol) , Flavio Venturini e Vinicius Cantuaria (Terço) curiosamente nos anos 70 em suas respectivas bandas, mesclavam influências diversificadas em seus trabalhos com arranjos psicodélicos que eram claramente influenciados por discos que vinham com meses de atraso dos EUA e Europa, era o gênero chamado de rock progressivo fazendo a cabeça dos novos músicos que naqueles anos se iniciavam.

Com outra figura da musica popular brasileira, a história não seria diferente.
Guilherme Arantes muito antes de fazer sucesso comercial nos anos 80, se beneficiando principalmente, com o fato de que suas musicas, era sempre incluídas em novelas da TV, por mais estranho que seja, também flertou com o gênero progressivo.

Guilherme foi um adolescente privilegiado, já que tinha um tio que trabalhava na TV Record e com isso ele pode assistir ao vivo boa parte daqueles grandes festivais da MPB em São Paulo, que levantava o publico com suas disputas musicais, como Caetano Veloso, Mutantes, Chico Buarque entre outros.

Teve aulas de piano e montou conjuntos sem grande destaque no final dos anos 60 e inicio dos 70 que tocavam basicamente musicas da Jovem-guarda e dos Beatles.

O primeiro deles foi o que montou com colegas de escola, chamada “Polissantes”, este que tinha entre seus integrantes o ator Kadu Moliterno.

Mais tarde, acabou conhecendo varias pessoas no meio musical, e dessa maneira, por ter certa habilidade com o piano, foi convidado a tocar na banda de Jorge Mautner, e fez diversas apresentações com o mesmo, mas sabia que não era por muito tempo, então, optou por fazer Faculdade de Arquitetura, depois acabou não indo bem nos estudos, e entre conversa e outra com colegas, do tipo “quem toca o que”, acabou conhecendo Claudio Lucci, um excelente violonista, e com ele logo foi procurar um velho amigo, Diógenes, que Guilherme até hoje considera o melhor baterista que viu tocar em toda sua vida, e ainda Gerson Tatini, baixo, e Egydio Conde, guitarrista, convidados a entrar logo depois.
Estes dois exitaram entrar no começo, pois não estavam muito dispostos a acompanhar nenhum cantor. Alguem teria comentado com eles, "Tem um cara que tem umas musicas ".

Mas teriam mudado de idéia depois que ficaram sabendo que a intenção era a gravação de um disco.


E assim, no começo de 1974, em São Paulo, estava formado a banda Moto Perpétuo, nome de um clássico composto por Nicolo Paganini, e que fazia jus a ponte do rock progressivo (estilo que era uma novidade, e que os estudantes ouviam muito na época) com a MPB, principalmente mineira, influência do Clube da Esquina.


Na época os Secos e Molhados era a banda da vez, mesmo com a saída de Ney, a mídia e o publico os idolatravam, e Guilherme, sempre com bons contatos, procurou Moracy do Val, que administrava os Secos  para fazer a direção de produção da banda.

Eles ficavam horas a fio numa casa no bairro do Brás, fazendo verdadeiras maratonas diárias de ensaios.

Eram brigas constantes de idéias e discussões para prevalecer um arranjo definido para cada canção.
Os integrantes da banda nesse meio tempo brigavam com Guilherme inconformados dele marcar, precipitadamente, horas num estúdio para fazer a gravação do disco que tinha condições simples.

O que na verdade eles não queriam era gravar o disco num estúdio com poucos canais , já que eles sabiam que bandas como o Yes gravavam em condições muito superiores.

Principalmente Gerson que chegou a perguntar para Guilherme, se ele não ouvia discos "por acaso".

Mas mesmo com desentendimentos com Gerson e Egídio, que eram os mais radicais fãs de progressivo da banda, enquanto Guilherme tinha aptidões mais para a MPB do Clube da Esquina e Elton John, a banda registrou seu único disco, entre setembro e outubro de 1974, com o produtor renomado, Peninha Smith, fazendo milagres no estúdio Sonima, em apenas 8 canais.

O disco em estéreo lançado com uma boa arte de capa, saiu pelo selo Continental, e destaca arranjos muito arrojados em comparação ao que existia no Brasil na época.

Glumim

Obs: fiz algumas correções no texto original mas nada que o descaracterizasse, por sinal uma bela aula de Brasil e sua história e lembram o que citei sobre 4 e oito canais e etc e tal no KG? Tá aí....

Enjoy!!!!!!!!!!!!!!